Colégio Dante Alighieri
Miriam Guimarães

#fiquebememcasa

Confira as recomendações da professora Miriam Guimarães, supervisora do Programa de Educação Socioemocional do Dante.

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Foto: Freepik.com

NOMEAR SENTIMENTOS E DIALOGAR

“Fomos obrigados a mudar a rotina no presente e nos planos futuros. Isso traz perdas: entramos em um tipo de luto simbólico, pois nossos planos 'morreram' — a viagem, a festa, a mudança de casa.

Há também o medo do futuro, em relação aos riscos e à nossa saúde, bem como à dos que são preciosos para nós. É ainda mais difícil lidar com esse sentimento, pois ele não se atenua sozinho, conforme o tempo passa.

É importante para a saúde emocional aprendermos a prestar atenção nos sentimentos desagradáveis e a nomeá-los. Quando identificamos o que sentimos, temos mais chances de lidar com a situação de maneira eficaz, o que resulta em mais possibilidade de falarmos sobre nós e de sermos compreendidos. E é por esse caminho que obtemos apoio e acolhimento. Enquanto nos sentimos perdidos em nossos sentimentos, sem entendê-los, fica muito mais difícil comunicar, pedir ajuda ou ainda avançar para novas ideias e possibilidades. Ficamos imobilizados. Para conseguir avançar, é necessário lidar com os sentimentos, e cada um tem um tempo para isso.”

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA

“A instalação de uma rotina é muitíssimo importante para este momento. Se o ambiente externo está muito incerto e dinâmico, qualquer constância nos trará tranquilidade. O fato de não sabermos como serão os próximos dias, meses e até anos traz muita ansiedade. E a rotina é um antídoto para a ansiedade, pois ela já traz em si a regularidade, ela se fixa no tempo presente.

É importante também manter o máximo possível de atividades que eram realizadas antes e com prazer. Assim temos mais chance de lidar melhor com o novo cotidiano.”

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LIDAR COM O TÉDIO

“O tédio é uma experiência importante também. Ele nos sinaliza que temos necessidade de nos envolvermos com algo para nos sentirmos conectados com a vida. Toda vez que experimentamos a falta de algo em nossas vidas, percebemos o valor que isso tinha para nós. Muitas pessoas perceberam o valor da liberdade de poder sair, o valor de estar na escola.

A sensação de tédio vem da ideia de que precisamos estar fazendo algo o tempo todo. Também faz parte da vida sentir-se entediado. Não precisamos estar felizes e satisfeitos o tempo todo, simplesmente porque isso não é possível.”

COLABORAÇÃO

“Até dois meses atrás, muitos jovens nunca tinham arrumado a própria cama, nem realizado outras atividades domésticas. Em várias famílias, havia mais alguém em casa para cumprir tais atividades. Mas o cenário mudou totalmente e é preciso que todos colaborem com essas tarefas, para evitar uma sobrecarga física e emocional para apenas um dos membros da família, o que pode aumentar as chances de conflitos.

O melhor momento de combinar a divisão é quando estão todos calmos. Não adianta querer conversar quando já há estresse porque a casa está bagunçada.

Para os alunos, fazer a sua parte envolve responsabilidade e compromisso. É importante reconhecer que todos têm sua parcela e assim desenvolver a autonomia de aprender a cuidar do que é seu e contribuir para o que é de todos. Ao mesmo tempo, isso é um símbolo de pertencimento.”

CONSCIÊNCIA SOCIAL

“A pandemia é mais um cenário em que a consciência social tem relevância vital para a sociedade, dado seu impacto e velocidade.

No projeto pedagógico do Colégio, a Ciência é um eixo do conhecimento que recebe toda a atenção. Os problemas da atualidade são debatidos sempre com a fundamentação em dados científicos e a análise de metodologias.

Pessoas com formação científica frágil ou baixa consciência social tendem a não compreender seu papel e suas responsabilidades como cidadãos, trazendo riscos à comunidade. A visão de coletivo é uma das habilidades necessárias para a análise de problemas complexos.

Este é o momento de colhermos o que viemos plantando na escola. Já tivemos oportunidade de ver que a grande maioria de nossos alunos tem o pensamento crítico desenvolvido para argumentação embasada em dados, sustentando sua visão de sociedade e postura cidadã.”

AUTOCUIDADO PARA MÃES E PAIS

“É importante dividir as funções e atividades de modo proporcional à capacidade que os filhos têm de participar, para que os adultos da casa consigam gerir todo o resto. Ninguém está em férias, desocupado. Pais não são professores. Todos se sentem perdidos e é necessária a união.

Mães e pais estão assistindo seus filhos por mais horas diárias do que estavam acostumados. Alguns estão presenciando os últimos momentos da infância das crianças; outros, a entrada no mundo adulto, com a escolha de carreiras. É uma oportunidade para quem consegue tranquilizar-se: momentos especiais que só estão sendo testemunhados por causa da situação em que estamos vivendo.

Mas a exaustão vem muitas vezes, por conta do medo de mães e pais de não serem bons o suficiente para os seus filhos. O cansaço emocional é mais forte que o físico, neste momento. Se você está em casa e pode estar por perto, seus filhos já estarão mais tranquilos. A ideia é cada um fazer o possível e não o ideal. Pensar em apenas hoje. O que dá para fazermos juntos hoje para que nosso dia tenha algo de bom?”

Foto: Piqsels.com