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Contação de história apresenta M. de Barros ao 9º ano

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Em 18 de setembro de 2013

“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis. Elas desejam ser olhadas de azul. Que nem criança que você olha de ave”. O trecho anterior é uma pequena mostra da busca do poeta Manoel de Barros pelos mais diversos, originais e simples significados das coisas. E foi justamente o universo poético desse mato-grossense de 96 anos que os contadores de história Kiara Terra e Marko Concá apresentaram aos alunos do 9º ano do Colégio Dante Alighieri em 16 de setembro.

A atividade fez parte da programação da XVI Feira do Livro do Colégio, marcando, também, o início dos estudos do 9º ano sobre Manoel de Barros, um dos mais importantes poetas brasileiros ainda vivos.

Autor criativo e original, mais interessado nas histórias inventadas do que em uma biografia baseada em fatos concretos, Manoel de Barros não poderia ser retratado de forma convencional. Assim, Kiara Terra e Marko Concá buscaram maneiras criativas de passar aos alunos o olhar do poeta sobre o mundo.

“Baseamos-nos no eu-lírico do Manoel de Barros e na forma como ele se coloca. Utilizamos algumas coisas da biografia inventada (“Memórias inventadas: a segunda infância”, um dos livros do escritor) e do documentário (“Só dez por cento é mentira – A desbiografia oficial de Manoel de Barros”, dirigido por Pedro Cezar)”, explicou Kiara Terra.

“Para Manoel de Barros, o mais importante é a biografia que criou para ele mesmo. Ele quebra uma série de expectativas e mostra diversas possibilidades de reinvenção,  possibilidades que estão além das coisas concretas”, completou.

Assim, utilizando apetrechos e músicas (como “Sonífera Ilha”, dos Titãs, e “Tempo perdido”, da Legião Urbana, executadas ao violão), Kiara e Marco contaram a história de um menino, filho de um pai extremamente exigente. Nascido em uma ilha, o garoto se sentia totalmente deslocado, o que o levou a tentar deixar o local saltando de um abismo.

O menino caiu em um rio enorme, impossível de ser atravessado. Apenas na companhia de um homem-árvore, ali viveu por muitos anos. Com o tempo, começou a ver as coisas com outros olhos, dando-lhes significados diferentes do usual, e espalhou muitas palavras pelas águas. Um dia, o rio secou e ele finalmente pôde atravessar para o outro lado, chegando, porém, ao mesmo lugar de onde havia saído: sua casa.

“O menino inventou sua própria existência ainda vivo. Manoel de Barros mostra a importância de reinventar as delicadezas. Mostra que as histórias mais verdadeiras são as que a gente inventa”, encerrou Kiara.

Coordenadora do Departamento de Língua Portuguesa, a professora Maria Cleire Cordeiro se emocionou com a contação de história e explicou o porquê de Manoel de Barros ser estudado por alunos do 9º ano.

“Todo ser humano tem que conhecer Manoel de Barros. Com essa atividade, os alunos começam a estudar o poeta. Eles vão aprender porque ‘poesia é voar fora da asa’”, afirmou a professora, fazendo referência a um famoso verso do poeta.

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