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8º ano estuda histórias em quadrinhos com aulas especiais e exposições

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Em 22 de Fevereiro de 2019

Todas as salas do 8º ano do Ensino Fundamental vão estudar histórias em quadrinhos durante o ano letivo de 2019, como um dos gêneros literários dentro das aulas de língua portuguesa. E, para começar o ano com o pé direito, os professores prepararam aulas especiais sobre o tema, além de visitas a duas exposições. A aula introdutória ao tema foi ministrada pela professora, autora e ilustradora Aline Zouvi, que é mestre em história em quadrinhos pela Unicamp e também produz suas próprias HQs de forma independente, tendo trabalhos publicados no jornal Folha de S. Paulo e participações em congressos internacionais na Argentina, Escócia, França e Holanda. No Dante, Aline integra a equipe de correção externa, que faz parte da coordenação de língua portuguesa avaliando as produções textuais dos alunos e dando apoio em plantões.

Ela contou a história das HQs e explicou como o formato, que começou de forma marginalizada, foi ganhando espaço e status até ser considerado arte literária. “Temos diferentes linguagens dentro do gênero das histórias em quadrinhos. Eu sempre digo que é como o cinema – não tem como você dizer ‘ah, não curto HQ’, porque há material para todos os gostos mesmo. Também quis quebrar o estereótipo sobre as HQs na aula, mostrando que vai muito além de mangás e super-heróis. O que define uma HQ é a sequência”, esclareceu a professora. Aline ainda aproveitou a aula especial para mostrar quadrinhos raros e antiguidades, com os precursores do formato. Ela também preparou a turma para uma visita à megaexposição “Quadrinhos”, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), onde um de seus livros foi exposto – “Síncope”, lançado em 2017, que narra um dia na vida de uma pessoa com ansiedade. As turmas também passaram pela exposição “Circuito das Linguagens” na biblioteca central do Dante, ocasião em que puderam ver trabalhos de HQs feitos pelos colegas no ano passado.

Visita ao MIS

No dia 13 de fevereiro, os estudantes foram até o MIS para uma visita guiada pela equipe de educadores do museu, além de serem acompanhados por Aline e outras professoras de português. A megaexposição “Quadrinhos” reuniu acervos de diversos colecionadores de todo o mundo, exibindo obras brasileiras, latinas, norte-americanas, europeias e japonesas. “É uma exposição bem grande, e o objetivo da curadoria era justamente sair do senso comum e mostrar obras diferentes. Começamos com arte rupestre, de milhares de anos, para mostrar como o homem já se expressava com arte sequencial e usava ilustrações como uma forma de linguagem”, afirma Jéssica Silva, educadora do MIS que recebeu os dantianos. “Mesmo os super-heróis merecem ser mais valorizados pelo seu contexto social na época. Os personagens da DC, por exemplo, têm uma forte ligação com a história e essa mensagem forte de salvar as pessoas, representando o governo dos EUA em períodos de guerra, como o Capitão América contra os nazistas e comunistas. Também temos quadrinhos mais modernos contando fatos históricos muito densos de forma mais acessível, como o livro Maus, de Art Spiegelman, que foi lançado em 1991 contando a história do pai do autor, um judeu que sobreviveu ao holocausto e se refugiou nos EUA, ou até mesmo Persépolis, de Marjane Satrapi, que conta a história da revolução islâmica no Irã pela perspectiva de uma adolescente que viveu essa transformação”, ensina Jéssica.

“Uma outra curiosidade que está na exposição é a origem da palavra ‘gibi’, que só existe no Brasil. ‘Gibi’ era o nome de uma revista de 1939 voltada ao público infantil que tinha quadrinhos e ilustrações. A marca pegou e ficou, assim como falamos ‘cotonete’ para hastes flexíveis. Mas, infelizmente, essa expressão ‘gibi’ é considerada ultrapassada, pois tem uma conotação racista. Antigamente, a palavra também era usada como sinônimo para ‘menino negro’, mas de forma pejorativa. A figura de meninos negros desenhada de forma caricata também sempre ilustrava essa revista”, conta Aline.

A exposição tem sido um sucesso, com ingressos esgotados, e destaca também os clássicos da Marvel, DC e Disney, além de Popeye, Luluzinha e personagens dos brasileiros Ziraldo e Mauricio de Souza. E os alunos amaram a visita: “A sala da DC é imperdível! Achei incrível a ambientação, a cadeira e o painel eletrônico simulando a batcaverna, as esculturas dos personagens e o Aquaman em tamanho real. Meus heróis favoritos são de lá, amo o Flash porque vejo o seriado e agora pude conhecer as histórias em quadrinhos dele também”, diz a aluna Ana Paula Barros, do 8º F. “Eu não conhecia o Gato Félix, que é um dos destaques da exposição, apesar de todas as professoras contarem que foi muito famoso. Também achei muito legal a parte de mangá, porque assisto a muito anime japonês e não sabia que os desenhos vinham desses quadrinhos”, conta Rafael Caruso, do 8º D.

“A visita ao MIS foi uma conclusão de todo o estudo que viemos fazendo desde o começo das aulas, complementando as aulas especiais da Aline. Aqui, os alunos puderam ver de perto os diferentes formatos de HQ, como charges, que depois também vão trabalhar no terceiro período, continuando essa aprendizagem. É importante porque o gênero aparece em vestibulares, provas diversas, redes sociais, jornais, então é na verdade todo um processo completo de formação”, afirma Maria Camargo Sipionato, professora de língua portuguesa.

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