Características

do Pré-Modernismo

 

Transição: entre a

permanência e a ruptura

 

Como em qualquer fase de transição, no Pré-modernismo aconteceram tendências opostas em coexistência. O elemento novo leva tempo para ser implantado, e, nesse caso, as novidades injetadas na literatura nacional por um Graça Aranha ou um Monteiro Lobato foram sendo assimiladas aos poucos. Alguns não as assimilaram, permanecendo com suas visões antiquadas, sem ter coragem de provocar a ruptura com o passado.

 

Academicismo e

Neoparnasianismo

 

A linguagem ornamental do Parnasianismo persistiu em muitos poetas do período que antecedeu o Modernismo. Esses poetas escreviam bem ao gosto do público das camadas dominantes, muito voltado para a linguagem sem finalidade de denúncia, de análise ou de crítica: a linguagem da arte pela arte. Neoparnasiano foi, por exemplo, o poeta José Albano (1882 – 1923), autor de Rimas, Comédia Angélica e Four Sonnets with Portuguese Prose-Translation, amigo de Alberto de Oliveira e de Olavo Bilac. Outro poeta neoparnasiano foi Amadeu Amaral (1875 – 1929), que cultivou poemas vazados em versos alexandrinos e decassílabos, bem à moda descritiva e discursiva da poesia parnasiana. Autor de Urzes e de Espumas, duas obras poéticas estilisticamente conservadoras.

 

Perpectivas

nacionalistas e renovação

 

Típicas dessa fase de transição foram as obras de Graça Aranha, Euclides da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato. Todos fizeram literatura de caráter nacionalista, mas com perspectivas diferentes. Graça Aranha renegou gradativamente o passado. Seria, mais tarde, uma das personalidades da Semana de Arte Moderna. Euclides da Cunha repensou o interior do país, afastando-se completamente do ufanismo oficial. Em Os Sertões, trouxe uma voz inconformista contra o massacre de Canudos. Lima Barreto foi o mais radical dos renovadores. Colocando-se contra a literatura acadêmica, fez ressaltar a realidade triste dos subúrbios cariocas e dos políticos tiranos e ineficazes. Monteiro Lobato fez uma literatura de advertência, sob a ótica da caricatura, denunciando a miséria campesina e buscando uma sociedade moderna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Uma poesia

de estranhamento

 

Ao lado da poesia acadêmica, representada por poetas bastante presos ao formalismo, destaca-se também a poesia híbrida, uma mescla entre Parnasianismo, Simbolismo e certo Romantismo. Trata-se da poesia de Augusto dos Anjos, que resulta estranha, em face da mistura que apresenta.

 

Um regionalismo

de pesquisa

 

A paisagem brasileira e o homem regional foram duas preocupações dos escritos pré-modernistas, cuja tônica foi a pesquisa da região, no sentido de ressaltar o sentimento da terra e do homem sertanejo. Hugo de Carvalho Ramos, Valdomiro Silveira e Simões Lopes Neto representam essa tendência regional de pesquisa.

 

 

 

 

 

Bibliografia.

Samira Youssef Campedelli. Literatura História & Texto 3 5ª edição – 1997.

 

 

 

Voltar