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Gestão Ambiental

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Meio ambiente, sustentabilidade e aprendizado.

O Colégio Dante Alighieri reafirmou, nos últimos anos, o intento de tornar efetivos projetos que conciliem sustentabilidade, conscientização e pedagogia. Foi daí que surgiu, por exemplo, o chamado teto verde, área localizada no edifício Ruy Barbosa que conta, desde maio de 2015, com uma horta orgânica.

O trabalho desenvolvido no teto verde representa, no entanto, apenas uma parcela das atividades sustentáveis que a instituição de ensino vem realizando. Um complemento a merecer destaque é o da coleta seletiva, cuja execução no Colégio tem se caracterizado por uma crescente eficácia. Somando-se os dados de 2014 e 2015, por exemplo, 63 toneladas de materiais de diversos tipos – como papelão e metal – foram coletadas e destinadas à reciclagem. A média mensal de geração de produtos recicláveis, em 2015, foi de 2,4 toneladas. Outros tipos de resíduos – como lâmpadas, pilhas e óleo automotivo – também ganham aqui uma destinação correta.

Grande parte desse material é coletado durante as férias letivas, período em que grandes reformas são feitas na escola – só em dezembro de 2015, por exemplo, cerca de 1 tonelada de metal foi recolhida de suas dependências. Esses números ainda podem crescer com o aprimoramento da separação dos materiais coletados, acréscimo que se espera obter pela adoção, por parte de empresas terceirizadas que realizam obras no Dante, de cartilhas ambientais que vêm sendo idealizadas pelo próprio Colégio. Os livretos vão tratar do manejo correto do material selecionável e do modo mais adequado de destiná-lo à reciclagem.

O Dante já tem, de todo modo, uma equipe treinada na separação e compactação desses materiais. A maior parte da coleta diária (com exceção dos produtos que dependem de uma destinação mais complexa) é vendida para a reciclagem e, no fim do ano, a verba arrecadada com essas vendas é dividida entre os funcionários do setor de limpeza.

Outra iniciativa vinculada às ações nesse campo consiste na criação do setor de compostagem, que, localizado na cobertura da área reservada à seleção dos itens recicláveis, recebe todo o material orgânico coletado no decorrer do dia – entre 250 e 300 quilos diariamente. Lá, uma composteira acelerada é capaz de gerar uma grande quantidade de adubo em pouquíssimo tempo. Sua presença ali, no entanto, não ilustra pedagogicamente o modo como se dá o processo da compostagem. Por esse motivo, há dois outros tipos de composteiras no mesmo ambiente: uma composteira com enzimas e outra com minhocas – constituindo esta última, por assim dizer, um processo mais lento e “romântico” de decomposição orgânica. O ciclo completo de compostagem dos minhocários leva aproximadamente dois meses, mas, como explica o gestor ambiental do Dante, Joaquim Félix, é também o que garante aos alunos uma exposição mais lúdica da maneira pela qual os produtos orgânicos podem ser reaproveitados.

“Esses espaços se tornaram ambientes de educação ambiental. Muitos alunos, de todas as idades, passam por aqui diariamente para aprender algo a partir do que veem em sala de aula”, assinala. “A 1ª série do Ensino Médio, por exemplo, estuda poluição, que tem tudo a ver com o que fazemos aqui no sentido de evitá-la. A geração de resíduos na cidade de São Paulo é uma das grandes responsáveis pela poluição do solo, então os encontros aqui estimulam conversas sobre o panorama de como a cidade está tratando o resíduo que gera. A relação entre consumo e conscientização deixa claro que há uma falsa impressão de que está tudo certo com os processos de produção e descarte atualmente.”

A composteira acelerada produz um grande volume de adubo em apenas uma hora. Apesar disso, é necessário aguardar cerca de dez dias para a aplicação do produto final nas hortas. As folhas varridas também são destinadas, em grande parte, à compostagem. O excedente, por sua vez, vira cobertura de solo no próprio jardim, preservando a umidade do espaço e enriquecendo o terreno. “Tudo virava lixo à toa. Agora, nada é lixo aqui”, resume Joaquim.

A mistura obtida com o produto dos três tipos de compostagem vira um adubo “supernutriente”, que vai para os vasos do teto verde. “A premissa de uma horta orgânica é começar por um adubo de qualidade”, afirma Joaquim. Ele esclarece que, semestralmente, amostras do produto final das composteiras são enviadas ao IBRA (Instituto Brasileiro de Análises) para um exame que verifica a qualidade da matéria-prima. “As análises mostram que nosso adubo está dentro do que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedem. Com certeza estamos usando um material de alta qualidade”, observa.

“Esse é um espaço pensado para a educação, e não estritamente para a plantação. E temos tido um resultado bastante positivo com isso, tendo em vista as diversas atividades realizadas aqui”, acrescenta Joaquim, citando como exemplo encontros ali agendados para a discussão de temas de Geografia e Ciências. “Quando subimos aqui, deixo claro que esse espaço representa apenas o fechamento de um ciclo. Se queremos falar sobre agricultura urbana, agroecologia, também precisamos entender o processo que começa lá embaixo [com a separação dos produtos e a compostagem]”, avalia.

“Aqui, podemos fazer atividades como o professor preferir. Podemos dar instruções sobre plantações, trabalhar com sensações aromáticas, estudar a microfauna do local. O importante é que a vinda aqui não represente apenas uma visita, e, sim, um trabalho em laboratório. As pessoas podem assimilar essas informações e multiplicar o conhecimento fora daqui”, pondera.

Sobre o grau de engajamento no projeto, Joaquim enfatiza que os funcionários nele envolvidos demonstram entusiasmo pelo trabalho. “Nossos jardineiros estão empolgados e viraram verdadeiros agroecologistas. Eles estão estudando, pesquisando e trazendo ideias novas. O nível de autodidatismo deles nesse assunto traduz o encantamento com o trabalho, que eles têm feito com prazer”. Segundo Joaquim, esse tipo de envolvimento pode ser também observado nos alunos da 3ª série do Ensino Médio. “Alguns alunos vieram me perguntar se poderiam trazer plantas novas para plantarmos, e também se poderíamos trocar sementes. A ideia é justamente que as pessoas vejam esse espaço como uma área coletiva e com potencial para agregar benefícios às nossas vidas.”

Para Joaquim, o trabalho desenvolvido na horta comprova que grandes investimentos não são necessários para a adoção de comportamentos mais sustentáveis. “Podem dizer, erroneamente, que o Dante só fez tudo isso por ter grandes condições de investir. Mas a verdade é que essas plantações estão sendo feitas dentro de caixas simples, que qualquer um pode ter em casa. Conseguimos plantar muitas coisas por aqui”, explica. “Em nosso caso, conforme a horta foi crescendo, acabamos também elaborando um sistema de irrigação com canos baratos, mas bastante funcionais, conectados a um sistema de captação de água de chuva. Já em épocas sem chuva, nosso sistema é automaticamente abastecido com água do poço artesiano.”

Para o gestor ambiental, outro ponto importante a destacar em toda a cadeia de sustentabilidade do Colégio – que se estende desde a coleta e separação dos materiais, passando pelo cultivo da horta orgânica, até a realização das atividades de conscientização com os alunos – é o fato de tudo ter sido cuidadosamente pensado, com a introdução de pequenas ações que, com o tempo, foram se transformando em iniciativas de maior escopo. Entre novos desafios a serem superados, Joaquim aponta alguns obstáculos de natureza comportamental, como o combate à geração de resíduos “na fonte”. “Podemos fazer um rastreamento em cada um dos departamentos do Dante para entender o quanto dessa geração poderia ser evitada, por exemplo. Esse é um trabalho de sensibilização, que vai muito além de gerar economia para o Colégio, já que o foco é a contribuição para o meio ambiente e a sociedade.”

Não por acaso, toda a produção da horta orgânica – como berinjela, alface, rúcula, coentro e manjericão – está sendo doada para o Quintal da Criança, uma organização não governamental que, como forma de reforçar o ciclo da sustentabilidade, cuida justamente de filhos de catadores de materiais recicláveis.

Afora os trabalhos já aqui mencionados, o Dante também investe em outras frentes sustentáveis: nos últimos anos, por exemplo, trocou a antiga iluminação dos prédios e da fachada por instalações que consomem menos energia. Já no segundo semestre de 2016, mais duas novidades: uma delas é a introdução de um sistema fotovoltaico de captação de energia – obtida da luz solar, mais especificamente –, que deve ser instalado no teto do edifício Michelangelo entre os meses de outubro e novembro. O equipamento deve garantir, ao menos, a iluminação geral daquele prédio. A segunda novidade é o início da captação de água de chuva em reservatórios específicos para uso na lavagem de pátios, calçadas e áreas comuns. A marcenaria – reformada também no segundo semestre de 2016 – já conta com um telhado projetado com esse propósito, por exemplo.